Não há contradição entre o direito de morar e o de estudar

Escrito por Pedro Laurentino, poeta e presidente estadual da Unidade Popular pelo Socialismo.

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Na madrugado do dia 7 de setembro – quando é comemorado a independência do Brasil de Portugal – cerca de 40 famílias organizadas pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas do Piauí – MLB – ocuparam um prédio público, que se encontrava vazio e sem cumprir a sua função social. O lema da ocupação: SEM MORADIA, NÃO HÁ SOBERANIA! A ocupação homenageou o piauiense Clóvis Moura, que dedicou sua vida a denunciar o racismo no Brasil e que completa 100 anos em 2026. Logo, parte da mídia passou a questionar a justa iniciativa, argumentando que o local estava reservado à Faculdade de Ciência Médicas – FACIME, curso ADMINISTRADO PELA Universidade Estadual do Piauí – UESPI, numa clara tentativa de jogar os estudantes contra os sem teto. Vamos ao debate;

1 – O que deveria incomodar a parte da nossa mídia conservadora é o fato de o centro de Teresina possuir mais de 2 mil imóveis vazios, abandonados, sem cumprir nenhuma função social, muitos deles públicos, e ao redor desse vazio existirem 40 mil famílias que não possuem uma casa para morar. São pessoas que moram de favor ou pagam caríssimos aluguéis para poder se abrigar e criar a sua família. Quem se arriscar a circular pela noite de Teresina, vai se deparar com uma paisagem ainda mais gritante: dezenas de teresinenses dormindo ao relento nas praças Pedro II, João Luís Ferreira e Rio Branco. Nem na pré-história, onde as pessoas tinham as cavernas para se abrigar, tal abandono não existia;

2 – O prédio em questão – onde antes funcionou o Ensino à Distância da UFPI e nos anos 60 abrigou a combativa Faculdade de Filosofia que resistiu à truculência da ditadura militar – está abandonado há tempo e é patrimônio da União. Não há termo de cessão nem comodato repassando a posse do imóvel para a UESPI. Há tão somente um processo, que aliás está dormindo em alguma gaveta dos burocratas federais e estaduais. E o direito a uma moradia digna, assim como a fome, tem pressa para ser resolvida. Por isso mesmo, a UESPI não possui legitimidade para reivindicar judicialmente a reintegração de uma posse que ela legalmente não possui;

3 – O que não falta em nossa cidade são prédios públicos vazios para resolver as demandas da população. O mais antigo prédio de Teresina, onde já funcionou o Instituto de Previdência, encontra-se abandonados há décadas no coração da cidade. Isso é que deveria indignar e incomodar os gestores, a mídia e os pretensos formadores de opinião. Dá para abrigar a FACIME, abrigar milhares de famílias, destinar espaços para fazer albergues, casas de referência ou acolhimento para a população em situação de vulnerabilidade e tornar o centro de Teresina acolhedor e revitalizado;

4 – Como resolver o impasse? Imediatamente, é preciso que os gestores (município, estado e união) montem uma mesa de negociação com os atores envolvidos. MLB, UESPI, as famílias sem teto e os estudantes de medicina precisam estar nessa mesa. A médio e longo prazo, é preciso discutir e resolver com seriedade a chamada REVITALIZAÇÃO DO CENTRO. Entra prefeito e sai prefeito, entra governador e sai governador e o centro de Teresina continua governado pela especulação imobiliária. Chega de lero-lero!. A revitalização do centro não se faz apenas com bares. Faz-se sobretudo com moradia. A área mais nobre da cidade é o seu centro, onde todas as ruas são asfaltadas, cobertas com esgotamentos sanitários, abastecimento regular de água e energia, palco das melhores escolas públicas e clínicas médicas e por onde circulam ônibus para todos os bairros. É lá que o povo deve viver e morar.

Não há contradição entre o direito de morar e o de estudar

Salve o MLB que está dando uma enorme contribuição à luta do povo sem teto e ao debate sobre a revitalização do centro.

Enquanto morar for um privilégio, ocupar será um direito!

“Gente sem casa

Casa sem gente

Bota gente sem casa

Na casa ausente”

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